Menino de 3 anos morre após ser picado por escorpião, família aponta falha no atendimento

 

 

 

 Foto: Antonio Bordignon/iNaturalist e Redes Sociais

Um menino de 3 anos morreu após ser picado por escorpião na noite de terça (31/03), em Conchal (SP). A vítima foi identificada como Bernardo de Lima Mendes. 

Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, o tatuador e pai do Bernardo, Paulo Mendes, reclamou da demora no atendimento e identificação da gravidade do caso do filho por parte dos funcionários do Hospital de Conchal. A unidade não tinha o soro antiescorpiônico disponível.

O g1 apurou que ele foi transferido para a Santa Casa de Araras, mas não resistiu e morreu na manhã de quarta-feira (01/04).

Paulo contou que estava brincando com o filho na área, na noite de terça-feira (31), quando foi preparar o jantar para eles. Na ocasião, o filho deitou em um colchão que estava em pé ao lado de uma mesa.
"Ele tomou duas picadas no ombro. Na hora até achei que ele tinha ralado o ombro, só que a gente falou que ele estava chorando muito, não era ralado. A gente puxou e tinha duas picadas, deu para ver nitidamente que eram duas picadas", afirmou o tatuador.

A esposa sugeriu que Paulo erguesse o colchão, ocasião em que o escorpião tentou escapar para debaixo de uma mesa. Ele matou o animal, o colocou em um pote e foi com o filho para o hospital.

De acordo com o pai, durante a triagem o atendente recolheu o escorpião para mostrar para a equipe médica. O tatuador contou que o filho permaneceu por um tempo na sala de espera chorando e reclamando muito de dor.

Um dos médicos estava atendendo, enquanto o outro estava sem paciente na sala. Após uma madre presenciar a situação, ela pediu para que o profissional atendesse a criança. A aplicação de um soro para dor também demorou, segundo ele.

O pai questionou se era um soro para picada de escorpião e foi informado pelo profissional que só o soro só era disponibilizado em caso de necessidade, e que o filho ficaria em observação durante 6 horas. Bernardo vomitou cerca de 10 vezes em 20 minutos e também babava bastante.
O pai questionou os funcionários se eles já tinham presenciado os sintomas que Bernardo estava sentindo em outras crianças. "Ele falou assim: 'eu só vi em vídeo', então eles não tinham preparo". A criança foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Após três horas na UTI e agravamento dos sintomas, os profissionais do hospital transferiram Bernardo para outra unidade. Em um primeiro momento, falaram para o pai que levariam a criança para Piracicaba, mas posteriormente conseguiram um leito em Araras.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) levou aproximadamente 40 minutos para chegar e realizar a transferência de Bernardo para Araras. "No caminho, devido a demora também, ele já teve a primeira parada cardíaca".

O pai contou que os profissionais do hospital de Araras aplicaram seis ampolas do soro na criança. Ele ligou para a esposa, que afirmou que o filho teve uma parada cardíaca de 10 minutos. "Ele ficou praticamente sem respirar por 10 minutos". Na sequência, o menor foi entubado.

Após a piora nos sintomas da criança, os pais foram orientados a irem para casa. Na manhã seguinte, assim que acordaram, receberam diversas ligações do hospital pedindo que eles voltassem até a unidade, pois o estado de Bernardo era grave. Pouco depois, ele morreu.

Santa Casa de Araras
Procurada, a Santa Casa de Araras informou que a criança foi transferida de um hospital de Conchal, por volta das 0h18, em estado grave e apresentando parada cardiorrespiratória.
O velório de Bernardo foi realizado  às 11h de quinta-feira (02), no Cemitério Municipal de Conchal.
//Do Por g1 São Carlos e Araraquara

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem